segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Milagre




Nem sempre O vemos, nem sempre assim o entendemos, mas Ele existe, ocorre e repete-se.

Acontece aos outros e a nós, acontece-me a mim com uma regularidade constante.

Dá-se naquele momento em que a nossa mãe nos fala depois de uma cirurgia delicada à coluna. Ou naquele outro em que o nosso irmão nos confirma, mesmo a chorar, que foi “só chapa e uns arranhões”. Partilhamo-lO com a melhor amiga cujo resultado da biópsia foi negativo. Sentimo-lO no arrependimento daquele aluno que nos insultou gratuitamente. Procuramo-lO no abraço de perdão daquela pessoa com quem não falávamos há anos, já nem sabemos por que motivo. Vivemo-lO com o gato que resgatámos do abandono.

E, sobretudo, rendemo-nos a Ele quando após 32 horas sofridas de parto, despertamos para a Vida a que demos origem.

Há muitos Milagres que são noticiados e comentados, há outros Milagres que só alguns presenciam, há Outros de que ninguém sabe e há ainda Os que todos veem mas não sabem ou se esquecem que são efetivamente Milagres. Há Milagres da natureza e há Milagres humanos, ocorrem no campo, na cidade, em todos os continentes, nações, mesmo nos sítios onde parece não haver qualquer sinal de Milagre. Há Milagres de casa e há Milagres da rua, por dentro e por fora de nós mesmos podem dar-se Milagres. O Tempo é um Milagre e o Valor que lhe damos é Outro. Água no deserto, chuva na seca, sol no temporal, salvação na miséria, vida na morte, todos Milagres, de todos os dias.

Se assim o desejarem, poderão adotar esta curta definição como um manual de reconhecimento dos Milagres, quando estiveram mais distraídos da Vida…


Texto publicado no grupo do facebook 2012 Palavras, 2012 Autores, da autoria de Pedro Chagas Freitas

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