sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Farta-te!



Farta-te dos hábitos de que te tornaste prisioneiro, do som rotineiro do tique-taque do relógio que não te deixa sentir o pulso, dos lados tão perfeitos desse quadrado-cela em que te inscreves!


Farta-te da voz que te abafa a vontade, que te lembra de culpas insondáveis, que argumenta contra o teu amor-próprio (o que te resta…)!


Farta-te da miserabilidade a que te condenas, pára de pôr o foco no problema (qual problema, afinal?), de dar valor ao superficial, ao circunstancial!


Farta-te de desperdiçar tempo, de gastar energia, de adiar o presente, de protelar o plano da tua Vida!

Farta-te das zonas cinzentas, dos “ses” duvidosos, dos “talvez” indefinidos, dos “nins” insalubres!


Farta-te da decoração da tua casa, do caminho para o trabalho, da cor das paredes do teu gabinete, das palavras que usas todos os dias para encetar conversa, dos silêncios com que respondes!


Farta-te da aparência, abandona preconceitos e formatações, deita abaixo os muros visíveis e invisíveis, despoja-te das velhas roupas, limpa o amontoado de lixo à tua porta, sacode a poeira!


Farta-te de não fazeres o que dizes, de não corresponder ao que és, de controlar o que sentes, de agradares aos outros por sacrifício (e, por favor, não digas que é por amor!) e de mostrares aos outros exatamente o que esperam!


Farta-te da resignação, da espera, da solidão, das meias-verdades, da pressão exterior, da hipocrisia, do queixume egoísta, de migalhas…! Cansa-te daquilo que te cansa nos outros!


Farta-te da ausência de alegria, de sorrisos, de gargalhadas! Farta-te da falta de afeto, de abraços, de beijos, de companhia, de genuinidade! Farta-te de não dares descanso à mente e ao corpo, de não respeitares os teus limites, de não aceitares que és o Suficiente para ti, para Deus, para os que te amam… Farta-te de procurar o que não existe, pára de querer encher a metade vazia do copo, quando ainda nem provaste a metade cheia…!


Espero que estejas já muito cansad@ e fart@, quero-te mesmo com muita falta de ar para que abras essas janelas e escancares os portões! Preciso mesmo que sintas o pânico de não respirar e procures o oxigénio que te salve! Peço até que chegues àquele ponto em que a vida passa por ti num flash e tu perguntas, aflito, “ainda tenho tempo?!”


Claro que tens tempo! Desperta e vai lá para fora! Limita-te a contemplar, aprecia, deixa-te surpreender!

E por falar em tempo, há quanto tempo não…

… fazes uma caminhada?

… passeias de mãos dadas?

… contas as estrelas?

… ficas uma noite em claro a conversar?

… acendes uma fogueira e… saltas?

… vês o dia a nascer… ou o sol a pôr-se, de um sítio mágico?

… arrumas as tuas gavetas, os teus armários?

… deitas fora o que não te faz falta?

… cantas, mesmo desafinad@?

… danças, mesmo desalinhad@?

… jogas, mesmo sem boas cartas?

… pregas uma partida?

… dás aquela gargalhada?

… fazes algo que ainda não fizeste?



Farta-te, portanto, de não fazeres o mais simples e o mais fácil há muito, muito tempo…

Faz deste o teu momento zero e arrisca ser simples, fácil e pur@, como uma criança.


Começa hoje! Farta-te do que já era(s)!


Espero-te no parque de diversões. Estarei com uma gabardina vermelha e galochas amarelas, a comer algodão doce! Não demores… vou precisar de ti para saltarmos ao eixo!

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